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Mandalas da meia-noite


As mandalas são essas belíssimas representações do centro do eu humano em processo de irradiação cósmica, expansão de formas, expressões em eclosão ao infinito do círculo.

Há sete anos, em dias determinados, sempre à meia-noite, o fotógrafo Walter Antunes

realiza uma mandala. A imagem é produzida com a câmera do celular e é imediatamente comunicada ao mundo pelo Instagram do fotógrafo.

Muitas dessas mandalas surgem de um ponto secreto e escuro. Na maior parte das fotos mandálicas o fundo é preto. Elas fazem parte de um trabalho mais amplo incluindo outras formas, com título emprestado de uma música de Jimmi Hendrix: "Burning of the midnight lamp".

A combustão da lâmpada solitária da canção é metaforizada pela luz cristalizada nas linhas e cores místicas e universais das mandalas. Embora produzida na solidão, como sugere a música, essa fotografia dirige-se instantaneamente ao mundo, simplesmente porque exprime a natureza da vida como arte e, consequentemente, beleza compartilhada.

Essas formas circulares e artisticamente ramificadas estão relacionadas às antigas sabedorias orientais como representação da psique compreendida como totalidade cósmica. Com a realização desses desenhos de luz, o fotógrafo capta e realiza intuitivamente a vocação íntima de sua alma.

Não por acaso as mandalas de Walter Antunes são expandidas do escuro para o claro no limiar da noite para o dia, como uma mensagem do oriente oculto ao ocidente materializado.

Em uma análise do antiquíssimo texto chinês alquímico “O segredo da flor de ouro” - traduzido e interpretado para o ocidente por Richard Wilhelm – C.G. Jung explica:

“De acordo com a concepção oriental, o símbolo mandálico não é apenas expressão, mas também atuação. Ele atua sobre seu próprio autor (…). É a participação de uma área sagrada interior, que é a origem e a meta da alma. É ela que contém a unidade de vida e consciência, anteriormente possuída, depois perdida, e de novo reencontrada”.

Por trás de qualquer forma, qualquer luz, há o ponto extremo, centro do círculo, misterioso nada, a partir do qual tudo explode. E para cada formação pode haver uma explicação.

Esse ponto surgiu da flor, aquele outro da fruta, alguns vieram de um teto. O ponto é "depois", tecnicamente. Ou seja, o ponto fotográfico referencial no sentido físico, foi uma coisa. E o ponto humano, localizado no artista, eclode na imagem, a qual é sua atualização, e esse ponto é "antes". Nós, olhando a imagem, somos "agora". É por isso que o desconhecido, o mistério no centro da mandala, é também conhecido, e se irradia.

“O movimento circular também tem o significado moral da vivificação de todas as forças luminosas e obscuras da natureza humana, arrastando com elas todos os pares de opostos psicológicos, quaisquer que sejam”, explica C.G. Jung.

A palavra mandala tem origem sânscrita e contém em seu significado primitivo os conceitos de “essência” e de “conter” ou “ter”, e é comumente traduzida por “círculo”, “circunferência”, “totalidade”, “plenitude”.

Walter Antunes é fotógrafo há 20 anos, dedicando-se principalmente à fotografia artística. Ao longo de sua carreira realizou mais de 40 exposições individuais com temas relacionados tanto ao mundo das artes quanto a assuntos relacionados à ecologia, cultura popular e comportamento.

www.instagram.com/walterantunes/?hl=pt-br

www.walterantunes.com/

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