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Um fim de semana em Bonito


Rios de água cristalina, calmos e de temperatura tépida, vegetação aconchegante e convidativa às margens, canto de pássaros exuberantes, peixes dourados… essas coisas lindas e raras, típicas das imagens de um paraíso que possivelmente cultivamos em nossas imaginações, fazem parte do ambiente natural nas cercanias da cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul.

Quem chega para visitar Bonito em busca dessas belezas, contudo, logo descobre que elas são todas de propriedade particular - com exceção de dois ou três “atrativos” gerenciados pelo poder público - o que significa que o acesso a qualquer lugar bonito em Bonito é feito mediante o pagamento de taxas, inclusive aos lugares públicos. Atualmente os preços variam de R$ 40,00 a R$ 1.045,00. Mas a maioria dos programas turísticos fica na faixa de R$ 80,00 a R$ 200,00, muitos deles incluindo transporte e refeição.

Se por um lado essa questão dos custos parece desanimadora, por outro ela se justifica: Bonito é um dos poucos lugares turísticos do Brasil em que o turismo é extremamente bem organizado, tanto do ponto de vista econômico, quanto do ponto de vista da sustentabilidade ambiental. Do ponto de vista organizacional, as agências que disponibilizam os serviços de guia, transporte, etc., apoiam-se todas em uma agência central, que coordena a regulação de preços e a distribuição de visitantes, o que facilita grandemente as coisas para o turista. E do ponto de vista da sustentabilidade, a quantidade de pessoas, as regras de comportamento, e os horários, em cada passeio, são limitados de acordo com indicadores ecológicos e de segurança, com a finalidade de preservar a relação do ser humano turista com o meio ambiente natural.

Uma das coisas lindíssimas que tem por lá é o Rio Formoso. Disseram-me que suas águas são transparentes porque o leito do rio é formado por um material que reflete a luz do sol, composto de restos de conchas de moluscos milenares. Mesmo num dia de bastante chuva, que era o tempo que fazia no dia do nosso passeio, o rio Formoso estava transparente.

Primeiramente conhecemos um pouco desse rio a partir do Parque Ecológico do Rio Formoso. O guia nos disse que a área do parque faz parte das terras de um fazendeiro que chegou à conclusão de que era mais vantajoso preservar as florestas e o rio naquela região, e entrar para o ramo do turismo, do que explorar a terra plantando pasto e investindo em gado. Agora o fazendeiro parece que faz as duas coisas. O gado fica na parte menos bonita da fazenda. Melhor para o meio ambiente, melhor para a gente.

Esse Parque é realmente maravilhoso. Chegando lá, vestimos os acessórios necessários fornecidos para o passeio: capacetes, calçados específicos e boias. Fazemos uma linda caminhada no meio da mata, conhecendo a vegetação - os guias sabem dizer quais são as espécies - e animais: muitos macacos e pássaros. Fomos acompanhados por uma porca-do-mato, a Chiquinha, bicho de estimação do Parque, que foi adotada por uma cadela quando era bebê. Os guias dizem que ela pensa que é cachorro…

Depois dessa caminhada revigorante, escolhemos descer o rio Formoso sentados confortavelmente em grandes boias à guisa de barcos, essa é a atividade nomeada boia-cross. O rio vai nos levando em sua correnteza mansa através de sua paisagem esmeraldina. Em um ponto, podemos parar para nadar um pouco. Após o boia-cross, podíamos ainda andar a cavalo pelo Parque. Não quisemos fazer isso, pois não sabemos montar à cavalo e nem estávamos com ânimo de aprender. Preferimos remar em um dos barquinhos disponíveis no lago do Parque.

Após essas alegres atividades, todas feitas na parte da manhã, o restaurante do local serve um almoço delicioso na linha da autêntica culinária sul-matogrossense, ou seja, culinária brasileira no melhor sentido da abundância de cores, aromas e sabores: peixe frito, arroz, feijão, salada, linguiças, pimentas, farofa e doces de goiaba, leite e banana de sobremesa.

Se não estivesse chovendo, faríamos na parte da tarde um passeio por entre as copas das árvores: o tal do “arvorismo”. Mas deixaremos para outra vez…

Passeamos pela cidade. É bonitinha, toda voltada para o turismo. Restaurantes de todos os tipos, para todos os gostos. Muitas lojas de artesanato e artigos para se levar para casa como lembrança. Os artesanatos são lindos, dos mais bonitos do Brasil, principalmente os indígenas.

À noite vamos visitar a fábrica de cachaça e artesanato Taboa. É um lugar bem interessante. Ali desenvolve-se uma técnica artesanal em cerâmica que o turista pode acompanhar em todas as etapas. Vale a pena se deter nas peças produzidas por essa fábrica porque refletem o imaginário e a inventividade autênticos dos artesãos locais e, por conseguinte, simbolizam as marcas da própria região. E ali também se cultiva uma infinidade de ervas que são misturadas à cachaça da marca Taboa. Pode-se experimentar os sabores na visita à fábrica.

Segue chovendo. Depois da nossa segunda noite no hotel Arte da Natureza, amanhece um céu cinza, com chuva forte. Tínhamos programado um dia inteiro de caminhada numa trilha bastante extensa, passando por várias cachoeiras. Mas com aquele tempo era impossível fazer isso.

Na parte da tarde, com a chuva menos forte, voltamos ao nosso Rio Formoso. Mas agora pelo ângulo da Praia da Figueira. Esse lugar tem esse nome por conta de uma figueira enorme e antiquíssima, que a proprietária vai incentivando se espalhar, colocando apoios para sustentar seus galhos cada vez mais extensos. Embaixo dessa figueira foram colocadas várias redes, e a gente quer ficar ali para sempre, deitado embaixo daquela árvore infinita.

Mas a coisa mais fascinante de se fazer por aqui é a “flutuação”. O guia faz você vestir uma roupa daquelas de mergulhador, uma segunda pele, sapatos especiais, boias e snorkels (óculos para a água com respiradouro). Anda-se através da mata até um determinado ponto e mergulha-se no Rio Formoso. Nessa parte do rio, que é bastante calma, você deixa o seu corpo solto, de barriga para baixo, boiando, e olha para baixo: e aí você pode ver dezenas de peixes, grandes e dourados, a maioria deles piracanjubas, naquele momento. Você flutua com o rio, nada com os peixes. A mata em volta é calma, tudo é verde claro. Isso num dia chuvoso. Imagino como será num dia de sol. O rio é relativamente raso e não se pode colocar os pés no leito para não turvar a água. É claro que hoje os peixes são alimentados pelo guia para ficarem por ali, em volta dos turistas.

Após a “flutuação”, ficamos mais um pouco ali na Praia da Figueira e vimos vários pássaros diferentes e alguns mamíferos, todos à beira da mata, mas como não havia para quem perguntar os nomes daqueles bichos, não podemos comunicar aqui precisamente quais eram esses animais. Basta porém dizer que causa um maravilhamento inédito depararmo-nos com seres que nunca se viu antes.

A nossa estada em Bonito foi de apenas um final de semana. Mas para aproveitar bem mesmo Bonito é necessário ficar pelo menos sete dias. Há grutas, lagoas, abismos, nascentes, trilhas, cachoeiras, que poderíamos ter conhecido se ficássemos mais tempo.

Para chegar lá nós fomos de avião, de São Paulo até Campo Grande, e depois pegamos um ônibus para Bonito. A viagem de avião é de uma hora mais ou menos, e a de ônibus, umas duas horas. Porém descobrimos que pode ser vantajoso alugar um carro em Campo Grande, pois em Bonito, para fazer os passeios, você tem que pegar táxi para te levar até às portarias dos locais turísticos, que são todos na zona rural. Outra alternativa é alugar um carro apenas em Bonito. Porém o ônibus de Campo Grande para Bonito é bem mal cuidado. E por fim, fica a dica: se você for a Bonito, não deixe de curtir um pouco também Campo Grande. A capital do Mato Grosso do Sul é uma cidade bonita, limpa e calma.

Para saber maiores detalhes sobre bonito, entre no site da Atratur:

www.atrativosbonito.com.br

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